Conciliar maternidade e carreira é um desafio. Para mulheres negras, mais ainda

Conciliar maternidade e carreira é um desafio para muitas mulheres. Para mulheres negras, mais ainda. A construção de uma sociedade mais equânime, que respeite o direito de ser mãe, passa pelo letramento das lideranças sobre parentalidade e racismo no mundo corporativo. Trata-se de um processo que envolve homens e mulheres, pretos e não pretos, em uma tomada de consciência para novas ações.

Essas foram algumas das conclusões da live que fizemos com Viviana Santiago e Viviane Elias Moreira, que aprofundaram a reflexão sobre um marcador que aumenta a complexidade do exercício equilibrado da maternidade com o trabalho: o preconceito racial.

A fala de Viviana ajuda a explicar a experiência de outra participante da conversa. Uma das raras mulheres negras a ocupar uma posição executiva em startups no Brasil, Viviane Elias Moreira relatou que só se deu conta da construção da sua carreira aos 32 anos, após passar por três multinacionais.

“Só fui notar que eu tinha uma carreira quando alguém me perguntou como eu a havia construído. Parei e refleti ‘eu não construí uma carreira, eu apenas sobrevivi até aqui’”, contou Viviane. “O primeiro desafio é validar que temos uma carreira. Mulheres negras executivas são geralmente a primeira ou segunda linha da família que conseguiu cursar faculdade, muitas oriundas de lei de cotas”, complementou.

Viviana Santiago explicou que as microagressões racistas e as imagens de controle sobre mulheres negras são continuamente acionadas no mercado de trabalho, atualizando uma condição de exploração herdada do passado escravocrata. Esses mecanismos são ainda potencializados no espaço da maternidade, no qual muitas vezes as boas profissionais são julgadas como mães perversas, que não oferecem cuidado aos filhos e filhas.

Assista a Live na íntegra: https://youtu.be/6h7X_yAHAcU

“Quando uma mãe negra solicita seu espaço de cuidado, para levar o filho ou a filha ao médico, por exemplo, as pessoas geralmente têm pouquíssima disponibilidade. É quase como se essa criança negra tivesse menos valor do que uma criança branca. E a gente sabe que, na sociedade brasileira, em função do racismo, as crianças negras são vistas como de menor valor”, afirmou Viviana.

Viviane Elias Moreira reconheceu os desafios e sugeriu que a transformação do contexto passa pela aliança entre mulheres pretas, não pretas e homens:

A maternidade precisa ser vista como impulso, não como obstáculo. As mulheres mães desenvolvem muito mais produtividade e trazem para as empresas habilidades como liderança e priorização de tarefas. Empresas que têm clareza do quanto é importante a retenção dessas mulheres têm desenvolvido uma parentalidade na prática, ou seja, uma ambiência pró-família. Para isso, é preciso ter uma sintonia e uma atuação conjunta entre ações afirmativas, políticas, processos e cultura. É a partir da informação e do diálogo que as empresas poderão agir de modo seguro e adequado para promover um ambiente mais equânime e humanizado.

As datas comemorativas, como o Dia das Mães e das Famílias, são um momento crucial para abordar o tema de maneira séria e assertiva, aumentando o engajamento, produtividade e também os seus resultados de negócio. Com esse objetivo, a consultoria Maternidade nas Empresas oferece uma lista de ações cuidadosamente pensadas para essa ocasião.

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